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Sexualidade como tabu

Vamos falar de sexualidade? Como você aborda este tema no seu relacionamento? 

 

Daniela de Melo Julianetti

CRP 06/90698

Com este breve texto gostaria de propor pensarmos como está sua sexualidade hoje e como você aborda tal tema no seu relacionamento.

 

Percebemos que em plena era tecnológica, onde a informação está por toda  parte, chegando rapidamente a todos com um simples clique, mesmo com tanta facilidade ao acesso as informações no nosso dia a dia, a sexualidade ainda é vista como tabu no nosso cotidiano. E podemos dizer que este assunto dificilmente é abordado de forma natural, tanto nos relacionamentos quanto os profissionais que ainda relutam em abordar o tema, seja na área da saúde ou educação, lugares comuns que seria de extrema importância esta abordagem. 

 

As questões em torno da sexualidade humana entendida como tabu, têm repercussões através dos mitos, crenças e valores que são atribuídos pela nossa sociedade e apreendidos em todas as fases da vida. Foucault já dizia que quando calamos sobre algo, estamos também negando sua existência. Os tabus se alimentam desses silêncios e invisibilizam muitos desejos, claro que em alguns relacionamentos este silencio é evidente distanciando os parceiros sexualmente, outros já tem mais facilidade de se expressar frente sua sexualidade, o que facilita o diálogo da parceria no que se refere aos seus desejos e vontades em comum.

 

Em contraponto os profissionais de saúde e educação têm uma lacuna em sua formação no que diz respeito a sexualidade, uma brecha que deixa a desejar a importância que este assunto merece, sendo estes profissionais peças chaves para orientar e apoiar neste campo da saúde sexual e sexualidade humana, sendo uma parcela pequena que se movimenta para preencher tais lacunas.

 

Funcionando assim: dependendo da sociedade em que vivemos, certos conceitos são tratados como uma verdade absoluta e não como uma opção. Essas formulações transformam uma construção cultural em algo que parece tão natural quanto uma lei biológica, e que, portanto, não deve ser debatido e nem pode ser mudado.

 

 A sexualidade é considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um dos indicadores de qualidade de vida, já que influencia a saúde física e mental, pensamentos, sentimentos, ações e integrações. Saúde sexual dialoga com aspectos sociais, somáticos, intelectuais e emocionais que mediam positivamente a personalidade e a capacidade de comunicação interpessoal. Como consequência, se a saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deve ser considerada.  

 

A saúde sexual não só promove a expressão da sexualidade, mas conscientiza riscos de doenças transmissíveis, gestações não desejadas, violência e discriminação, e assim experimentar uma vida informada, agradável e segura, baseada na autoestima, numa abordagem positiva e no respeito mútuo nas relações sexuais. Portanto, valorizam-se a vida, as relações pessoais e a expressão da identidade própria da pessoa. Ela é enriquecedora, inclui o prazer, e estimula a determinação pessoal, a comunicação e as relações (HERA, 1999).

 

 Para a maioria das pessoas, falar de sexualidade remete imediatamente ao ato sexual e à reprodução. Mas a sexualidade é muito mais abrangente, muitas vezes, a porta de entrada para as queixas sexuais são os médicos, por exemplo no caso de mulheres é o médico ginecologista, se estendendo para o homem também, pois a queixa masculina muitas vezes é feita de forma direta ou indireta pela parceira, e aparece também nas escolas com os vários questionamentos dos alunos aos professores o que demanda uma educação sexual. 

 

As dificuldades em lidar com a sexualidade vêm afetando também muitos profissionais da área da educação. A educação sexual no Brasil tem sido discutida desde o início do século XX e ainda é foco de discussão, pois não foi assimilada no cotidiano das instituições como a escola e a família. 

 

Este assunto é normal fazer parte da realidade de crianças e adolescentes, podemos perceber nas brincadeiras, as conversas, é uma fase de muita curiosidade e uma realidade que não pode ser negada, neste momento atual a sexualidade pode ser abordada de uma maneira mais explicita e natural.

 

Assim, por conta desta naturalidade e espontaneidade o ser humano é sexual e precisa trabalhar suas dificuldades. Muitas vezes, pais e educadores não estão preparados para lidar com o tema, falhando na comunicação no que se refere a sexualidade não explicando, negando, punindo ou fingindo que não viram ou ouviram os questionamentos, criando assim um afastamento, perdendo a possibilidade de orientar e ajudar, caindo no descaso e desinformação.

 

Por fim, perceba que abordar temas que se referem a sexualidade vai além da vivencia de se relacionar sexualmente com seu parceiro, quando conversado acolhemos duvidas, expomos nossos desejos, podemos até acolher quem está ao nosso redor, caso venha muitos questionamentos procure um profissional da saúde ou educação que possa te orientar, ou seja, não temos como saber de tudo e o melhor para enfrentarmos este tabu e termos qualidade de vida é buscar informação sempre.

Daniela de Melo Julianetti – CRP 06/90698.

Sou Psicóloga clínica, sexóloga e terapeuta de casal atuo desde 2007 em Psicoterapia e Sexologia Clínica e sexualidade humana.

Pós graduanda em Sexualidade e Gênero.

Pós graduada em Fenomenologia existencial e hermenêutica.

Aprimoramento profissional em Psicologia Hospitalar com foco em sexualidade humana, saúde da mulher e do recém-nascido (Hospital Leonor Mendes de Barros e Hospital Pérola Byington).

Supervisora clínica na linha fenomenológico existencial e hermenêutica.

 

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Administrado por Tatiana Perez (CRP 07/26032)
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