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Por onde começar um relacionamento aberto?

Por onde começar um relacionamento aberto? 

 

Luísa Chaves de Faria Brasil

CRP 07/36436

 

O primeiro passo para começar um relacionamento aberto é entender o ponto de partida. Trata-se de um relacionamento “tradicional”, isto é, monogâmico que pretende mudar sua dinâmica ou um relacionamento que já se inicia em funcionamento de relação aberta? Ambos os cenários, e outros que não consigo contemplar nesse breve texto, oferecem suas vantagens e desafios para construir um relacionamento aberto. Porém, tenho 5 expressões-chave as quais ajudam nesse processo – expectativas, informação, comunicação aberta, contrato e comunidade. 

 

Expectativas: após entender onde a relação atual está, vem a exploração de expectativas. O que o casal procura – individual e coletivamente – com um relacionamento aberto? Alguns exemplos são mais oportunidades sexuais, apaixonar-se por outrem, se divertir, apimentar o casamento, etc. Inclusive, “relacionamento aberto” pode nem ser a palavra correta para o que vocês estão pensando, mas um elemento permanece o mesmo: o confronto com a monogamia compulsória da sociedade ocidental. Um embate com a ideia de que um relacionamento afetivo-sexual deve ser exclusivamente entre duas pessoas, mesmo que isso não seja o mais saudável para elas.   

 

Informação: após as expectativas, há a busca por informação. Inclui procurar perfis no Instagram e páginas no Facebook que falem de relacionamentos abertos, conversar com amigos que têm ou já tiveram uma relação assim, ler livros, artigos e blogs, escutar podcasts sobre o tema. Aqui vocês exploram as possibilidades de seguir a relação, os nomes “certos” para o que querem tentar, e já começam a visualizar as situações e o quão confortáveis se sentem para experimentá-las. Dica – deem uma olha no perfil do NM em Foco no Instagram (@naomonoemfoco).

 

Comunicação aberta: acredito que esta seja a parte mais difícil para alguns casais. A comunicação aberta entre parceiros exige que ambos sejam honestos consigo e com o outro, respeitando os limites de cada um. É preciso comunicar de maneira assertiva e clara, sem agressões ou tentativas que convencer o outro, o que você quer experimentar. É preciso estar preparado para escutar que o outro não se sente confortável com esse caminho e tentar encontrar uma solução colaborativa que seja focada nas problemáticas presentes (não do passado ou do futuro) e seja agradável para ambos.   

 

Contrato: refere-se às regras e limites estabelecidos por meio da comunicação aberta do casal. Eu quero saber toda vez que meio parceiro se relaciona sexualmente com outrem? Sim? Não? Só em situações específicas? Quais situações? Podemos nos relacionar com nossos ex-parceiros? Essas são algumas questões que devem ser abordadas e colocadas no contrato. Temos o Desfecho da comunicação aberta. 

 

Comunidade: por fim, a importância de ter amizades e pessoas de confiança que também tenham relacionamentos abertos e em não-monogamia. Trilhar pela jornada da não-monogamia, mesmo que ocasionalmente, pode ser cansativo, visto que nossa sociedade ocidental ataca moralmente o que não segue o padrão estabelecido de monogamia. Construir uma comunidade com pessoas não-monogâmicas permite trocas de informações e apoio para não desistir de algo que pode ser muito saudável para você.

 

Lembre-se nada é fixo em uma relação. A todo momento, mudamos e crescemos e as relações acompanham esse processo. Na dúvida, recomece o ciclo – expectativas, informação, comunicação aberta, contrato e comunidade. Recomece quantas vezes forem necessárias para o casal.

Luísa Brasil

CRP 07/36436

 

psicoterapeuta e psicóloga clínica de indivíduos, casais e famílias.

Trabalha sob uma perspectiva de evidências, com enfoque na terapia Sistêmica e Afirmativa voltada para a população LGBTQIA+.

Também é voluntária no G8-Generalizando, de assistência jurídica, e no Projeto Transpor de consultoria profissional para pessoas trans.

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Administrado por Tatiana Perez (CRP 07/26032)
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