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“Parthner Phubbing”: o celular e seu impacto nos relacionamentos amorosos | por Daniela Carvalho

O uso do celular, os smatphones, fazem parte do nosso cotidiano e facilitam a comunicação por voz, escritas, fotos e vídeos.

 

Hoje fazem parte dos meios para interação social, afetiva, amorosa e sexual. Muitos casais iniciaram sua relação por rede social ou aplicativos de encontros, sendo assim, o celular já faz parte da história da relação amorosa.

 

Quando o uso do celular gerou um distanciamento afetivo ou prejuízo no relacionamento amoroso? 

 

Segundo Lins, uma “boa relação amorosa é se livrar da ideia de fusão e preservar a distinção entre si” (p.113) e o psiquiatra social francês Jacques Salomé diz que o “casal é uma relação à três quando vive-se em dois, formado pelos os indivíduos e pela relação amorosa” (p.113-114) (Lins, 2017).

 

O relacionamento amoroso representa a ideia de uma relação íntima, que pode apresentar fatores de interferência, como o uso do celular, como fator de aproximação ou distanciamento.

 

O celular pode trazer e gerar um distanciamento, o chamado “Phubbing”, que é comportamento de ignorar o outro por haver interrupção pelo uso do celular, podendo estar associados a dependência tecnológica. Esse comportamento pode gerar no relacionamento amoroso uma inibição interpessoal e problemas de confiança, interferindo na satisfação da relação e no sentimento de bem-estar, chamado de “Parthner Phubbing” pois o celular torna-se seu parceiro, companheiro e faz que tenha uma relação com ele. (Água; Lourenço; Patrão; Leal, 2019)

 

Uma pesquisa portuguesa, em Lisboa, em 2017 constatou que 14% dos participantes da pesquisa eram dependentes dos dispositivos, o celular (Água; Lourenço; Patrão; Leal, 2019). Outra pesquisa, realizada pela Baylor University sobre conflitos com parceiros sobre uso de celular e satisfação no relacionamento apontou que 22,6% disseram que phubbing promoveu conflitos em seus relacionamentos (Roberts, Meredith, 2017).

 

No atendimento clínico, escutamos muitas vezes queixas sobre o outro como falha na parceria, ciúme e fantasias associadas a controle, que são projetadas no celular e no mundo virtual.

 

Segundo esses estudos, a insegurança e a fantasia de ser trocado por outro e de não ser visto pelo parceiro pode, muitas vezes, ser realizada por um comportamento, constituído pela confusão do papel sobre o uso do celular na vida do indivíduo e na relação amorosa. 

 

Trocamos o tempo de estar junto, o investimento na relação afetiva, no conhecer o outro ao seu lado, pela distância digital? Mudamos de parcerias pessoais para parcerias digitais? As relações são estabelecidas de vivências de cada indivíduo sobre si e na formação do desejo pelo outro. Qual ou quem buscamos na fantasia do amor? O nosso parceiro? A quem desejamos e qual mundo desejamos: real ou aquele que se encontra há um clique das mensagens, dos e-mails, dos chats?

 

O relacionamento amoroso é uma escolha sobre fusão da vida a dois ou mais, assim como estar no relacionamento é uma experiência e o uso do celular na relação é uma vivência, que pode contribuir e/ou afastar. Por isso, é importante avaliar o impacto do “Parthner Phubbing” na relação. Qual será sua escolha?

Daniela Candida Carvalho

CRP 06/78506

 

Mestre em Ciência da Saúde, Especialista em Psicologia hospitalar e Psico-oncologia. Psicologia clínica winnicottiana, intervenção precoce na relação mãe bebê, capacitações em transtorno de aprendizagem, transtorno alimentar infantil, lutos e perdas, atendimento psicológico online, avaliações para cirurgias bariátricas, vasectomia e laqueadura. Atendo crianças à idosos.

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