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Construindo um lar na pandemia | por Eliana Coco

Eliana Miranda Barboza Coco 

CRP 01/23635

 

Durante uma palestra com um arquiteto, fundador de uma empresa de arquitetura, discutimos sobre a construção de uma casa e de um lar. Será que tem diferença?

 

Observe a diferenciação entre casa e lar para a arquitetura: 

 

“Em nossas escolas de arquitetura somos ensinados a projetar casas e não lares. Ainda assim, o que interessa ao habitante é que uma habitação seja capaz de lhe proporcionar um domicílio. Essa residência possui sua própria psique e alma, além de suas qualidades formais e quantificáveis” (Pallasmaa, O habitar).  

 

“Uma casa é a estrutura que envolve o lar, mas no final o que importa é que alguém irá viver naquele espaço. Quando falamos de um lar, falamos das pessoas que habitarão esse lar” (Y2 Arquitetura). 

 

“O lar é uma expressão da personalidade do morador e de seus padrões de vida” (Pallasmaa, O habitar). 

 

A nossa forma de morar mudou muito durante a pandemia. Estamos vivendo em agrupamentos nesses lares, o que trouxe à tona questões que aparentemente estavam camufladas. A psicologia entende esse agrupamento como um sistema, onde cada um que mora nessa estrutura arquitetônica reflete a sua personalidade neste lar. 

 

Neste novo momento, a pandemia pegou a todos de surpresa, mexendo nas estruturas subjetivas do lar, estruturas que não se podem ver, assim como na arquitetura. Pode ser que não tenham havido mudanças nas estruturas arquitetônicas, mas as estruturas subjetivas estão sendo abaladas. Ao conviver todos juntos, estruturas antes desconhecidas, por exemplo, os segredos comportamentais, são explicitados.

 

O trabalho home office a que muitas empresas têm aderido, bem como a escola vieram para dentro do lar. Cônjuges, filhos, pais estão muito mais tempo juntos.

 

O ambiente que antes era apenas um lar, transformou-se em um ambiente profissional e escolar, compartilhando um mesmo espaço.

 

Há a necessidade de se preparar espaços mais reservados, e em muitos casos no mesmo cômodo da casa, para cada momento em que acontece durante um único dia. 

 

As memórias desses familiares estão sendo modificadas, as relações estão se modificando e se redescobrindo. E as surpresas levam a indagações, como por exemplo: “Eu não sabia que você era assim!”, “Quem é você?”.  É um tempo de se adequar ao agrupamento familiar, mas sem perder a individualidade, personalidade e autonomia. As práticas anteriores podem ser que não voltem mais. Como estão sendo movimentadas essas estruturas para que todos se sintam bem? 

 

Cada sistema familiar é único. Há uma diversidade de padrões familiares, convivendo com a união de vários sistemas diferentes. 

 

Assim como existem na arquitetura diferentes projetos, pilares similares que não podem ser deixados de lado, na estrutura de um lar existem pilares que podem ajudar em seu sustento, neste tempo em que estamos vivendo. Como exemplo, o respeito à individualidade, a comunicação não violenta (seja verbal ou não verbal) e o trabalho doméstico em equipe. Esses pilares podem possibilitar que o sistema familiar gire como uma engrenagem, cada um cumprindo o seu papel em prol de um relacionamento saudável.  

 

A partir desses três pilares ao se realizar um projeto arquitetônico dá-se um novo olhar à subjetividade do sistema familiar. Pensar como esses familiares se reúnem, como se comunicam, como participam da organização da casa, seus horários de trabalho, de refeições, de dormir, de lazer em família.

 

Quem compõe a família? São só adultos? Tem crianças e/ou adolescentes? São reflexões importantes para se compreender a construção de uma casa que se transformará em um lar, que trará inspiração, aconchego, parecendo que abraça, a cara daquele sistema.  

 

Um lar não são as paredes frias, os enfeites, mas tudo isso agrega aconchego. Um móvel que ocupava espaço antes da pandemia, pode ser removido ou mudado de lugar para esvaziar o ambiente para que as pessoas tenham espaço para um lazer juntos, como jogos de tabuleiro, sessão cinema com pipoca, brinquedoteca para os filhos. 

 

Ao aplicarmos esses pilares poderemos tirar proveito desse tempo novo em que estamos vivendo. Promover o aconchego e a paz no lar. E cada indivíduo terá uma percepção se esse lar está funcional para a sua individualidade. Daí se constrói um projeto multiprofissional, tendo esse olhar arquitetônico juntamente com o olhar da psicologia sobre a subjetividade de cada sujeito que comporá esse lar. 

 

Se pensarmos que vivemos o tempo todo em mudanças dos ciclos familiares, perceberemos que a pandemia veio para acender as luzes das mudanças. E buscar praticar os pilares que sustentam essas mudanças ficará mais fácil passar por elas e mais fácil para lidar com o medo que gera ansiedade, como o medo do adoecimento, do luto, da perda, da falta de perspectiva. Uma das melhores formas é viver o dia a dia e celebrar as pequenas conquistas fortalecendo esses pilares. E assim renovar as estruturas construindo uma nova forma de enxergar, trabalhando em como lidar com essas situações que estão mexendo com as emoções. 

 

Muitas vezes, buscar ajuda psicológica pode contribuir para que o familiar ou os familiares ressignifiquem questões que no momento não estejam suportando lidar sozinhos. 

 

Esse ciclo irá passar. Hoje é o momento de fortalecer as estruturas subjetivas do lar com respeito, boa comunicação e trabalho em equipe.  Os resultados serão vistos no futuro. 

Eliana Miranda Barboza Coco 

CRP 01/23635

 

Psicóloga Clínica e Hospitalar / Terapeuta de Casal.

Graduação em Letras e Psicologia. Especialista em Psicologia Hospitalar e Psicologia Eclesiástica. 

Capacitação em Terapia de Casal e Genograma.

Pós-graduanda em Psicologia Clínica, Existencialismo, Terapia Sistêmico-familiar.

Atendimento online Brasil e exterior, para adultos e casais. 

Terapia Sistêmica Familiar e Gestalt-Terapia.

“Te ajudo a ter um relacionamento conjugal leve = autoconhecimento”

Instagram: @elianacocopsicologa

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Administrado por Tatiana Perez (CRP 07/26032)
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